"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sexta-feira, novembro 30, 2007

Guerra de sexos entre antílopes africanos
http://dn.sapo.pt/2007/11/30/ciencia/guerra_sexos_entre_antilopes_african.html

O comportamento agressivo observado entre machos e fêmeas de uma espécie de antílope africano era até agora um enigma para os cientistas. Biólogos ingleses conseguiram agora perceber o que se passa. Num artigo publicado na revista Current Biology, os biólogos explicam que os machos antílopes atacam as fêmeas com as quais já copularam antes, quando estas se tornam insistentes. O objectivo é poderem reproduzir-se também com outras fêmeas.

Brancos dos EUA dominam nos crimes de ódio
http://dn.sapo.pt/2007/11/30/internacional/brancos_eua_dominam_crimes_odio.html
CADI FERNANDES

São números eloquentes, os mais recentes sobre os crimes de ódio ("hate crimes") nos Estados Unidos, de acordo com o relatório anual do FBI (2006 Hate Crimes Statistics), a que o DN teve acesso. América violenta: um total de 7722 incidentes e de 9080 agressões foi participado, em 2006, a 2015 agências do Federal Bureau of Investigation.Por crimes de ódio entende-se os que têm por base o preconceito. Contra pessoas de raça, religião, orientação sexual diferentes, que não só causam vítimas - mortos e feridos -, como também cavam feridas profundas entre as várias comunidades. Recorre-se a tudo: vandalismo, fogo posto, agressão física e psicológica e, até, homicídio. Um flagelo que tem aumentado, pois os números relativos a 2005 eram relativamente inferiores (7163 incidentes).A nível nacional, 5449 das agressões foram classificadas como crimes contra pessoas com recurso à intimidação (46%) e agressões simples (31,9%). Mas três pessoas acabaram por morrer vítimas destes crimes de ódio.Dos 3593 crimes contra a propriedade, a esmagadora maioria (81%) consistiu em actos de vandalismo ou de destruição dos bens alheios. Atribuídos os crimes por raças, verificou-se que, de um total de 733o agressores conhecidos das autoridades, 58,6% eram brancos e 20,6%, negros.Foram identificadas 9652 vítimas. Mais de metade (52%) foi agredida por causa da raça. A maioria dos incidentes, o correspondente a 31%, registou-se em residências particulares. Outros 18% ocorreram em autoestradas e ruas.Desde 1997, quando o relatório do FBI começou a ser publicado, o ano mais violento foi 2001: registaram-se quase dez mil (9730) incidentes relacionados com crimes de ódio.

Caça aos criminosos nazis aberta na América Latina
http://dn.sapo.pt/2007/11/30/internacional/caca_criminosos_nazis_aberta_america.html

Durante a II Guerra Mundial, Aribert Heim ganhou a alcunha de "doutor morte" no campo de extermínio nazi de Mauthausen, onde assassinou centenas de pacientes injectando-lhes produtos mortais no coração. Hoje, se ainda é vivo, tem 93 anos e os investigadores do centro Simon Wiesenthal acreditam que possa estar escondido na Argentina ou no Chile. É para levar homens como Heim à justiça, e outros que, como ele, fugiram após a queda do Reich para a América Latina, que o centro Simon Wiesenthal lançou esta semana, em Buenos Aires, a operação "Última Oportunidade". O centro, cujo objectivo é procurar criminosos nazis através do mundo, oferece dez mil dólares a quem tiver informações que permitam a sua detenção. No caso de Heim, a recompensa é superior a 450 mil dólares (310 mil euros). "Desde que aumentámos a recompensa, o fluxo de informações aumentou bastante e tudo nos conduz à América Latina. Se o único resultado desta operação se traduzir na entrega à justiça de Aribert Heim, os nossos esforços terão sido justificados", disse Ephraim Zuroff, o director do centro. O "doutor morte" esteve dois anos e meio preso mas foi libertado sem processo. Estabeleceu-se como ginecologista na Alemanha, antes de fugir em 1962, quando ia ser novamente detido.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Luta por "loira vistosa" em lar
http://dn.sapo.pt/2007/11/28/cidades/luta_loira_vistosa_lar.html
PAULO JULIÃO, Viana do CasteloDIREITOS RESERVADOS (imagem)

Uma crise de ciúmes levou um idoso de 79 anos residente no lar da Santa Casa da Misericórdia de Paredes de Coura a agredir à paulada outro idoso, quatro anos mais novo. A instituição decidiu "condenar" o agressor a uma "pena" de exclusão de trinta dias. No centro da confusão está uma utente do lar, vinte anos mais nova, mas "loira e muito vistosa", segundo o provedor da instituição. Os factos remontam ao inicio deste mês, depois do agressor não ter gostado de alguns "piropos" dirigidos pelo outro homem à sua namorada, igualmente residente no Lar. No espaço exterior, o idoso aguardou pelo seu "rival" e quando este estava de volta do motor da sua viatura avançou para a agressão. "Atirou-lhe uma mão cheia de areia para os olhos e agrediu-o com uma cacetada", explicou ao DN o provedor da instituição, António Pereira Júnior. A agressão só foi travada com a intervenção de pessoas que se encontravam perto. A vitima, de 75 anos, acabou por ser assistida no centro de saúde local, onde foi suturada na cabeça. A namorada terá sido "cobiçada" pelo colega do lar, que não terá gostado das movimentações. "Tem 75 anos mas parece um jovem, muito mais possante que o agressor. Como não tinha corpo para ele, atacou-o quando o apanhou desprevenido", contou Pereira Júnior. Descrito como de "mau feitio" e "mulherengo", a direcção do lar, onde vivem mais de 90 idosos, de pronto deu ordem de expulsão temporária, 15 dias em casa e outros 15 dias no lar, em regime de retiro, ou seja, sem poder sair do quarto, para evitar "vinganças". Pereira Júnior admite que "já não primeira vez que um caso destes acontece" na instituição. A pena a cumprir pelo idoso esgota-se sexta-feira, com a sua total integração.

Televisão alemã vai estrear primeiro canal funerário
http://dn.sapo.pt/2007/11/28/media/televisao_alema_estrear_primeiro_can.html
INÊS DAVID BASTOSDIREITOS RESERVADOS (imagem)

A televisão alemã vai estrear em 2008 o primeiro canal funerário do mundo, o Etos TV, que emitirá obituários e homenagens dos familiares ao ente falecido, mediante o pagamento de uma quantia que pode ir até aos dois mil euros. Por este valor, por exemplo, adianta o El Mundo, o familiar interessado em contratar os serviços da Etos TV pode solicitar uma telenecrologia de cerca de dois minutos, que passará dez vezes durante todo o dia.Crianças a brincar num parque, uma montanha com neve ou um céu azul são algumas das imagens que podem incorporar o obituário, acompanhadas de fotografias do falecido e da família. O canal também vai disponibilizar uma ampla gama de peças musicais e reflexões sobre a paz, com várias vozes em off.O criador do projecto e director de marketing da estação privada RTL, Wolf Tilmann Schneider, justifica a iniciativa pela necessidade de "as televisões diversificarem os seus produtos", lembrando que o mercado funerário "está por explorar"."Cada ano, morrem na Alemanha 800 mil pessoas. Se tivermos em conta que cada um tem quatro familiares, amigos e colegas de trabalho, cerca de 3,2 milhões de alemães enfrentam por ano o tema da morte", disse, em entrevista ao diário de Berlim BZ.O caso portuguêsO canal regional português Porto Canal lançou este ano uma rubrica com anúncios de óbitos e mensagens de saudade e homenagem aos entes falecidos, para combater o monopólio da necrologia nos jornais.

terça-feira, novembro 27, 2007

Radiografia melhora detecção de doenças
http://dn.sapo.pt/2007/11/27/ciencia/radiografia_melhora_deteccao_doencas.html
27 de Novembro de 2007

Um novo aparelho promete revolucionar os meios de diagnóstico por radiografia. O scanner da Philips, que acaba de ser anunciado, tem a particularidade de reproduzir imagens do corpo a três dimensões, com uma clareza sem precedentes. E com a vantagem adicional de reduzir em 80% a exposição a radiações.O aparelho consegue tirar um grande número de imagens de raio x, combinando-as e colocando-as em sobreposição, o que garante imagens finais de grande detalhe.A rapidez é outra das características da máquina da Philips, pois produz imagens numa fracção de tempo dos equipamentos actualmente existentes. A título de exemplo, uma radiografia de corpo inteiro demora menos de um minuto, podendo rodar quatro vezes no espaço de apenas um segundo. Ou seja, a máquina é 22% mais célere do que os sistemas actuais.A novidade foi revelada na Sociedade Radiológica da América do Norte, oferecendo novas possibilidades aos médicos na despistagem de doenças. Porque as imagens a três dimensões podem rodar e ser vistas de ângulos variados, a identificação de sinais de anomalias fica substancialmente facilitada. Por outro lado, as imagens podem ser vistas a partir de qualquer computador num hospital ou por colegas e investigadores, que se encontrem distantes, o que promove a partilha de informação entre uma equipa ou uma comunidade científica.De momento, o Brilliance TC - assim se chama o aparelho - é utilizado apenas num hospital, o Metro Health Medical Centre, em Cleveland, no estado norte-americano de Ohio, que começou a usá-lo ao longo do último mês."Este scanner é tão poderoso que consegue captar a imagem do coração inteiro em apenas duas pulsações", disse Steve Rusckowski, o chefe executivo da Philips Medical Systems. O preço deste aparelho multifuncional permanece, contudo, desconhecido. A companhia discográfica EMI esteve por detrás do primeiro CT scanner comercialmente viável , que foi inventado em 1972 pelo britânico Godfrey Newbold."Esta inovação parece ser um novo passo em frente face àquilo que éramos capazes de fazer. A alta resolução permite-nos ver coisas pequenas, tanto nos pulmões como nas artérias, e depois decidir se existe algo errado e qual a melhor maneira de chegar lá", considerou o presidente da fundação britânica do pulmão. Keith Prowse acrescentou que, "em caso de cancro, ajuda-nos a ver até que ponto se espalhou. Também nos ajuda a reconhecer padrões de anormalidade. Promete ser um avanço significativo".As inovações nos sistemas de radiografia têm merecido distinções científicas importantes, nomeadamente do prémio Nobel. Em 1979, tanto o inventor do primeiro sistema comercializável, como Allan McLeod Cormack, da Tufts University - que criou um sistema semelhante -, foram galardoados com o prémio Nobel de Medicina.- C.A.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Iniciativa foi considerada “insultuosa para o profeta”
Professora britânica presa no Sudão por chamar Mohammed a um ursinho de peluche
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1311930&idCanal=62
26.11.2007 - 15h58 Reuters

Gillian Gibbons, uma professora inglesa de 54 anos radicada no Sudão, foi presa pelas autoridades sudanesas, sob acusação de ter deixado a sua turma do 2º ano baptizar um urso de peluche com o nome de Mohammed. Este exercício foi considerado “um insulto” ao profeta muçulmano e poderá valer a Gillian até três meses de prisão.Os colegas de Gillian Gibbons na Unity School dizem estar preocupados com a sua integridade física, tendo em conta que depois da sua detenção alguns activistas islâmicos se reuniram à porta da esquadra da polícia de Cartum, capital do Sudão. Estes professores dizem ainda que o erro de Gillian foi inocente, e que a votação do nome foi feita pelas crianças como parte de um projecto educativo.Robert Boulos, director da escola, explica que a professora seguia apenas um programa do currículo oficial britânico, relacionado com as diferentes espécies animais e os seus "habitats". Como o animal deste ano lectivo é o urso, a educadora pediu a uma das meninas do segundo ano que trouxesse o seu urso de peluche. Depois encorajou as crianças a darem-lhe um nome, para que posteriormente se escrevesse um diário sobre a interacção dos meninos com o brinquedo. O nome de Mohammed foi escolhido de entre oito possívies e votado por maioria (20 crianças em 23 votaram nessa opção). Boulos e respectivo corpo docente considera, por isso, que Gillian é inocente da acusação de blasfémia que agora enfrenta. A queixa foi fomentada por queixas formais vindas de pais muçulmanos.Uma das professoras, muçulmana e cuja filha frequentava a turma de Gibbons, referiu “não ter qualquer problema” com o nome, acrescentando que estava “apenas impressionada por Gillian ter conseguido que eles votassem”. Disse ainda que ela “nunca faria isso como um insulto” ao islamismo, opinião partilhada pelo director da escola.Gillian Gibbons enfrenta agora uma pena de até três meses de prisão, ao abrigo do artigo 125 da Constituição sudanesa, referente a blasfémias e insultos à fé e religião.Entretanto, a Unity School ficará fechada até Janeiro como medida preventiva. “Este é um assunto muito delicado, e estamos preocupados com a integridade física de Gillian”, foi a justificação dada por Boulos para esta medida.Os ministérios da Educação e da Justiça sudaneses revelaram-se indisponíveis para dar esclarecimentos sobre o caso.

domingo, novembro 25, 2007

Quadro da rainha Isabel I em corpo inteiro vendido
http://dn.sapo.pt/2007/11/25/artes/quadro_rainha_isabel_i_corpo_inteiro.html
25 de Novembro de 2007

Tela superou cálculos dos especialistas e atingiu 3,4 milhões de euros O mais antigo retrato conhecido da rainha Isabel I de Inglaterra em corpo inteiro foi vendido por 2,6 milhões de libras (cerca de 3,4 milhões de euros), num leilão realizado esta semana pela Sotheby's de Londres.Segundo a BBC, pensa-se que a obra, pintada pelo artista holandês Steven van der Meulen, deverá ter sido encomendada para ajudar a monarca a "publicitar-se" a potenciais pretendentes à sua mão.Aquela que ficou conhecida por "Rainha Virgem" acabou por nunca se casar, apesar de ter tido vários pretendentes entre as décadas de 1560 e 1570. Os especialistas tinham calculado que a obra iria render menos de metade da quantia por que acabou por ser licitada, o que constituiu uma grande surpresa. O quadro tem dois metros de altura e representa a rainha, de tez muito branca, vestida com um vestido de cetim cor de carmim, enfeitado com pérolas e pedras preciosas. A obra estava pendurada, e ignorada, há mais de meio século numa sala de reuniões do Tribunal de Aylesbury, no Buckinghamshire.Segundo declarou Emmeline Hallmark, da Sotheby's, "tal como o seu pai, Henrique VIII, ela tinha plena consciência da importância da sua imagem. O quadro é muito bonito e decorativo, e o simbolismo alude ao facto de a rainha estar na plenitude da sua existência".Filme fracassaSe o quadro de corpo inteiro de Isabel I atingiu, em leilão, uma soma que nem os especialistas calculavam que pudesse atingir, já o filme Elizabeth: A Idade de Ouro, segundo de uma trilogia sobre a lendária rainha de Inglaterra, interpretada por Cate Blanchett, é um inesperado fracasso de bilheteira.Assinada por Shekar Kapoor, a fita lucrou apenas 16 milhões de dólares (10,7 milhões de euros) nas bilheteiras americanas e 21 milhões de dólares (14,1 milhões de euros) no mercado internacional. O filme inaugural da trilogia, Elizabeth, de 1998, havia sido um sucesso comercial e crítico, e ganhou um Óscar técnico.

Quadro da rainha Isabel I em corpo inteiro vendido
http://dn.sapo.pt/2007/11/25/artes/quadro_rainha_isabel_i_corpo_inteiro.html
25 de Novembro de 2007

Tela superou cálculos dos especialistas e atingiu 3,4 milhões de euros O mais antigo retrato conhecido da rainha Isabel I de Inglaterra em corpo inteiro foi vendido por 2,6 milhões de libras (cerca de 3,4 milhões de euros), num leilão realizado esta semana pela Sotheby's de Londres.Segundo a BBC, pensa-se que a obra, pintada pelo artista holandês Steven van der Meulen, deverá ter sido encomendada para ajudar a monarca a "publicitar-se" a potenciais pretendentes à sua mão.Aquela que ficou conhecida por "Rainha Virgem" acabou por nunca se casar, apesar de ter tido vários pretendentes entre as décadas de 1560 e 1570. Os especialistas tinham calculado que a obra iria render menos de metade da quantia por que acabou por ser licitada, o que constituiu uma grande surpresa. O quadro tem dois metros de altura e representa a rainha, de tez muito branca, vestida com um vestido de cetim cor de carmim, enfeitado com pérolas e pedras preciosas. A obra estava pendurada, e ignorada, há mais de meio século numa sala de reuniões do Tribunal de Aylesbury, no Buckinghamshire.Segundo declarou Emmeline Hallmark, da Sotheby's, "tal como o seu pai, Henrique VIII, ela tinha plena consciência da importância da sua imagem. O quadro é muito bonito e decorativo, e o simbolismo alude ao facto de a rainha estar na plenitude da sua existência".Filme fracassaSe o quadro de corpo inteiro de Isabel I atingiu, em leilão, uma soma que nem os especialistas calculavam que pudesse atingir, já o filme Elizabeth: A Idade de Ouro, segundo de uma trilogia sobre a lendária rainha de Inglaterra, interpretada por Cate Blanchett, é um inesperado fracasso de bilheteira.Assinada por Shekar Kapoor, a fita lucrou apenas 16 milhões de dólares (10,7 milhões de euros) nas bilheteiras americanas e 21 milhões de dólares (14,1 milhões de euros) no mercado internacional. O filme inaugural da trilogia, Elizabeth, de 1998, havia sido um sucesso comercial e crítico, e ganhou um Óscar técnico.

Estudo da Universidade de Yale
Bebés revelaram-se capazes de distinguir amigos de inimigos

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1311737&idCanal=13
25.11.2007 - 13h28 Romana Borja-Santos

Pode parecer coisa de um pai orgulhoso que a cada momento aponta novas qualidades e capacidades ao seu filho, mas talvez não seja. Um novo estudo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, veio mostrar que provavelmente, mesmo antes de andarem e de falarem, os bebés são sensíveis ao carácter das pessoas e, assim, capazes de distinguir um amigo de um inimigo.Os resultados da investigação, em bebés entre os seis e os dez meses, publicados esta semana na revista “Nature”, mostram que os bebés têm mais noções sociais do que se poderia pensar e que rapidamente aprendem o provérbio “não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”. O trabalho, conduzido por Kiley Hamlin, da Universidade de Yale, em New Haven, Connecticut, nos Estados Unidos, conclui que as crianças com menos de um ano já são capazes de julgar as acções daqueles que as rodeiam, mesmo quando são meros espectadores de coisas que não os afectam directamente.No entanto, o pedopsiquiatra Eduardo Banito disse ao PUBLICO.PT que as idades em questão são ainda muito precoces para este tipo de estudos, já que “a leitura de sinais exteriores é muito limitada”. O especialista defende que até um ano de idade a criança funciona mais por mímica, isto é, por imitação do meio ambiente. “Esta ideia de que o ser humano é naturalmente bom é muito do século XVII”, acrescentou. O pedopsiquiatra defende que, mais do que a genética ou do que aquilo a que o estudo chama “inato”, o mais importante é haver “padrões de equilíbrio emocional, não sujeitando o bebé a muitas alterações que podem ser entendidas como agressão”.Bonecos com olhos gigantesPara chegar a estas conclusões, a equipa norte-americana utilizou algo tão simples como uma história contada com bonecos que subiam e desciam uma montanha. Estes tinham uns olhos grandes, parecidos com os pirilampos mágicos, de forma a dar-lhes uma forma mais apelativa, mas também mais humana.A personagem principal da história, um círculo colorido de madeira brilhante e com grandes olhos, tenta subir uma montanha mas não consegue. Numa primeira fase conta com a ajuda de um triângulo “bom samaritano” que o ajuda a escalar, mas noutra encontra um inimigo, um quadrado, que lhe dificulta o caminho e o empurra para baixo.No final da exibição foi pedido aos bebés que escolhessem um dos bonecos e quase todos optaram pelo de bom carácter – os 12 bebés de seis meses escolheram o triângulo assim como 14 dos 16 bebés de dez meses.A experiência foi repetida com os mesmos objectos a descer a montanha para se certificarem que o sentido em que se movimentavam não influenciava a escolha e também com os bonecos sem olhos, verificando-se neste caso que os bebés não reagiam tanto à história.Foi ainda introduzida no conto uma figura neutral. Apesar de os bebés a preferirem relativamente à má, continuaram a optar pela boa em vez da neutra. A equipa de Hamlin diz que tudo isto prova que, com menos de um ano, as crianças já distinguem uma acção humana, mesmo quando não estão nela envolvidas.Numa segunda experiência, a personagem torna-se amiga tanto do bom como do mau boneco. Os especialistas aperceberam-se que os bebés mais crescidos ficaram mais atentos às cenas e mais surpreendidos, o que mostra que são capazes de tirar conclusões complexas das atitudes sociais e motivações que os envolvem.“O facto de os bebés serem capazes de fazer escolhas em idades tão precoces sugere que a sua habilidade de escolher entre o bom e o mau pode ser inata”, disse Kiley Hamlin à “Nature”, em vez de apenas socialmente aprendida com os pais. O investigador acrescentou, no entanto, que “passando mais tempo com pessoas positivas do que com negativas as crianças vão aprender melhores 'inputs', que com o tempo vão influenciar o seu desenvolvimento” – uma adaptação biológica às condições sociais.Idades demasiado precocesO pedopsiquiatra Eduardo Banito está mais de acordo com esta ideia de assimilação social, pelo que a criança tanto se pode identificar com causas positivas como negativas, segundo as vivências que lhe são proporcionadas. “A amostra utilizada é muito pequena o que torna a certeza do comportamento ser inato muito duvidosa”, afirmou o especialista em comportamento infantil. Banito explicou também que “há uma tendência católica em dividir o mundo em bom e mau e nestas idades não podemos encaixar as coisas desta forma, nem podemos dizer que o boneco que não ajuda é necessariamente mau”.O pedopsiquiatra sublinha ainda que é a partir dos dois anos que se conseguem identificar melhor os comportamentos infantis e dizer se são ou não desviantes, o que pode ser avaliado, por exemplo, vendo se a criança é capaz de construir frases concordantes e lógicas ou se tem um bloqueio verbal, revelador muitas vezes de “patologias do foro psiquiátrico mais complicadas”.

sábado, novembro 24, 2007

Ganhar mais que o colega estimula 'prazer' no cérebro
http://dn.sapo.pt/2007/11/24/ciencia/ganhar_mais_o_colega_estimula_prazer.html
MÁRCIO ALVES CANDOSO

Voluntários com tomógrafos ligados ao cérebro
Ser recompensado após uma tarefa bem feita é motivo de alegria e de motivação extra para continuar o trabalho. Nada mais certo. Mas cientistas alemães acabam de descobrir, através de processos de investigação neurológicos, que a recompensa pode ser mal recebida se... for menor que a de um colega de trabalho que executou as mesmas funções.Cientistas da Universidade de Bona, citados pela revista Science, provaram que o modo como os agentes reagem a uma determinada recompensa não depende do seu valor absoluto mas sim, também, da comparação que fazem com a remuneração extra conseguida por um colega de trabalho. Esta visão vem ao encontro do empirismo behaviorista mas contradiz a teoria económica, que apenas se debruça sobre as remunerações em termos absolutos e não em termos comparativos.A equipa liderada por Armin Falk, professor da Universidade de Bona, contou com 38 voluntários, todos europeus e do sexo masculino. Colocados dois a dois, em postos de trabalho contíguos, estavam equipados de tomógrafos de ressonância magnética ligados a várias partes do cérebro. Segundo a Science, estes aparelhos permitem detectar alterações na circulação sanguínea, indicativa da actividade das diversas células.Os investigadores pediam aos voluntários que contassem o número de pontos de um desenho abstracto inserido num ecrã. Após a verificação do resultado, os que não conseguiam acertar não eram recompensados, o que era espelhado por uma falta de actividade na zona do cérebro que reage a recompensas e reconhecimento. Mas entre os que acertavam - e, como tal, eram recompensados - a reacção cerebral não era equivalente. Isto porque os investigadores anunciavam aos participantes que o prémio era desigual. O resultado tomográfico foi uma menor circulação sanguínea no voluntário que tinha recebido menos dinheiro. Ou seja, a recompensa individual, que estimulou o centro cerebral respectivo, demonstra que o prazer não está apenas ligada ao sucesso pessoal mas também ao dos outros, nomeadamente colegas de profissão. Esta sensação de "inveja" ou de "injustiça" relativa é o dado que fica da investigação neurológica em apreço.Segundo os investigadores, a vantagem da ressonância magnética, em comparação com os estudos behavioristas anteriores, é que desta vez não foram usados "filtros cognitivos" mas apenas e tão só a monitorização imediata das reacções cerebrais.Os cientistas esperam agora realizar o mesmo teste em mulheres e em cidadãos asiáticos, de forma a perceber se a reacção depende do género ou do tipo de cultura.

"Ou ela ou nenhuma"
http://dn.sapo.pt/2007/11/24/dngente/ou_ou_nenhuma.html
FERNANDO MADAÍL

Ao ler aquela frase num romance de Hermann Hesse, em que o romancista afirmava "vou ser escritor ou não vou ser nada", o alemão Matthias Schmelz, que se radicou em Portugal em 1993 e aqui criou fortuna, decidiu logo na adolescência que queria ser autor de livros. Na época, faltava-lhe o dinheiro para viajar, conhecer mundo e poder escrever. Agora, dá-se ao luxo de lançar um livro a que nem sequer falta uma moeda de um euro inserida na capa e uma outra incrustada na lombada - ideia de difícil execução para as gráficas.Em The Millionaire Maker - obra limitada a mil exemplares e da qual ofereceu, em Lisboa, um a Alan Greenspan, um dos biografados neste guia -, o empresário que enriqueceu a vender um modelo de aspirador mais avançado resume tudo o que aprendeu para se obter sucesso, de citações de Einstein ("o juro acumulado é a força mais poderosa do mundo") a capas de livros como How to Win Friends and Influence People (Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas), de Dale Carnegie. O "filho de Augustin", como ainda hoje é conhecido na aldeia de Hofaschenbach, "que tinha mais vacas do que pessoas" quando ele nasceu em 1961 - e da janela de sua casa via a electrificada "cortina de ferro" que, na sua infância e adolescência, separava as duas Alemanhas -, junta no livro figuras como Bill Gates e George Soros, o xeque do Dubai e a apresentadora televisiva Oprah Winfrey.Tudo começou quando, apercebendo-se de que Portugal era o único país onde tinha hipótese de ser líder nas vendas de uma marca que estava a ter grande aceitação na Alemanha, telefonou ao americano que presidia à empresa fabricante. Conhece algum português? Sabe falar a língua? Já visitou o país? Apesar do "não" às três perguntas, o americano acreditou no jovem alemão, que só tinha um cartão- -de-visita de um taxista de Loures que falava alemão e a quem telefonou ao aterrar em Lisboa. Nessa noite, vendia um aparelho ao motorista, jantava bacalhau e vinho verde em sua casa e contratava a mulher dele para trabalhar. Cinco anos volvidos, vendia 4243 máquinas por mês - actualmente, apesar de a marca estar presente em 80 países, Portugal ainda é líder nas vendas directas. Esse ano de 1998 ficou também marcado pelo seu casamento com Fernanda Alves, que vira pela primeira vez dois anos antes. Entrara, sem convite mas com ar determinado, no Casino Estoril e, mal se sentou, viu-a desfilar no concurso de Miss Portugal. E, antes de viajar 23 horas de avião até ao Japão para a ver ganhar o concurso de Miss Internacional em 1996, numa variação da frase de Hesse, pensou logo: "Ou ela ou nenhuma."

quinta-feira, novembro 22, 2007

Alemã vai mudar de sexo e abandonar competição
http://dn.sapo.pt/2007/11/22/desporto/alema_mudar_sexo_e_abandonar_competi.html
MADALENA ESTEVES

Saltadora foi sexta nos Mundiais de recinto coberto em Lisboa
A alemã Yvonne Buschbaum anunciou ontem que vai deixar o atletismo e começar um tratamento hormonal antes de realizar uma operação para mudar de sexo."Sinto-me homem, mas tenho de viver num corpo de mulher", afirmou a medalha de bronze no salto com vara nos Campeonatos da Europa de atletismo em 2002, em Munique.A atleta, de 27 anos, tem problemas nos tendões de Aquiles, um dos motivos que a levam a abandonar a competição. "As minhas constantes lesões tiveram um papel determinante na minha decisão, mas ela deve-se essencialmente ao meu 'desequilíbrio mental'. Durante anos tive a impressão de não estar no corpo indicado", explica a saltadora."Não me drogo e devido ao meu tratamento hormonal tenho de ser honesta relativamente à minha situação. Do ponto de vista biológico, o êxito que tive até agora é natural", salientou a atleta.Yvonne Buschbaum foi sexta classificada nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000 e ficou na mesma posição nos Mundiais em recinto coberto, em 2001, em Lisboa. *com AFP

quarta-feira, novembro 21, 2007

A revolta dos funcionários da ilha mais rica dos EUA
http://dn.sapo.pt/2007/11/21/internacional/a_revolta_funcionarios_ilha_mais_ric.html
HELENA TECEDEIRO

Grupo garante que a segregação ainda existe em Fisher Island
"Quando se entra no ferry, são brancos para um lado e negros para o outro", explicou Mariette Casseus ao diário britânico The Times. E a empregada doméstica numa das mansões de Fisher Island, a ilha americana ao largo de Miami, na Florida, não estava a falar dos anos 50 quando a segregação racial marcava o quotidiano nos EUA, mas sim do que acontece todos os dias no barco que faz o percurso de 15 minutos entre o continente e a ilha. Considerado "o código postal mais rico dos EUA" pela revista Forbes, Fisher Island depara-se agora com a revolta dos seus funcionários. A "ilha de sonho", onde o rendimento médio per capita é de 236 mil dólares (159 mil euros), a areia veio das Baamas e os tucanos enchem as árvores de cor, foi palco no fim-de-semana de uma manifestação que reuniu centenas de funcionários. São homens e mulheres que, por salários que rondam os 55 dólares por dia, cortam a relva das mansões de luxo e campos de golfe, cuidam dos carros desportivos e da segurança dos milionários que vivem na ilha. "Quando os super-ricos têm uma ilha isolada só para eles, acabam por desenvolver uma mentalidade colonial e vêem as pessoas como seus empregados e não como seres humanos", disse ao Times Magdaleno Rose-Avila, director da organização Interfaith Workers Justice. Para lutar contra o que consideram ser um exemplo perfeito do abismo entre ricos e pobres nos EUA, um grupo de funcionários decidiu apresentar uma queixa no Gabinete para a Igualdade de Oportunidades de Miami. Os funcionários, na sua maioria negros e hispânicos, acusam a empresa responsável pela travessia de ferry de "segregacionismo".O barco é mesmo a única forma de chegar à ilha - desde que se seja residente ou se tenha sido convidado. A outra opção é ser dono de um iate ou de um helicóptero. No ferry, os funcionários garantem ser obrigados a "entrar antes dos carros de luxo" dos 467 habitantes da ilha. Caso contrário, estão proibidos de passar junto aos veículos para "não os mancharem com as suas impressões digitais".Curiosamente, a ilha pertenceu em tempos a Dana Dorsey, primeira milionária afro-americana da Florida. Em 1919, o construtor Carl Fisher comprou o pedaço de terra roubado ao mar em 1905, dando-lhe o seu nome. Adquirida pelo milionário William Vanderbilt, a ilha, com os seus 18 courts de ténis, duas marinas e um heliporto, tornou-se pólo de atracção para ricos e famosos como a actriz Julia Roberts, o tenista André Agassi ou o cantor Ricky Martin, que lá tiveram mansões.Mas para os funcionários: "Fisher Island deve ser uma ilha só e não estar dividida entre ricos e pobres".

"Juan Carlos é um rei muito humano"
http://dn.sapo.pt/2007/11/21/internacional/juan_carlos_e_rei_muito_humano.html
PATRÍCIA VIEGAS, em Madrid

Monarca, que subiu ao trono faz amanhã 32 anos, continua popular
Fotografias queimadas de Juan Carlos e Sofia, caricaturas censuradas do seu filho Felipe e da sua nora Letizia, uma visita inédita a Ceuta e Melilla, um incidente diplomático na cimeira ibero-americana com Hugo Chávez e a separação da sua filha Elena. Nas últimas semanas multiplicaram--se os acontecimentos que colocaram a monarquia espanhola no centro de um furacão, mas, mesmo assim, o Rei parece manter o apoio popular."Não há razão para criticar Juan Carlos, é muito humano, se mandou calar Chávez, apoiamo-lo", garante ao DN Leonor Liza, uma espanhola de origem peruana, de 63 anos. A imagem de um rei mais interventivo agrada-lhe, confessa, antes de entrar num dos prédios que estão virados de frente para o Palácio Real, na praça do Oriente, em Madrid. A mesma opinião expressa, à saída da estação de metro da Opera, Antonio Lorenzo, de 70 anos, lembrando que Juan Carlos, a festejar amanhã 32 anos de subida ao trono, "é autor da estabilidade política e de uma transição sem mortos". Este reformado, de gabardina e chapéu, jornal debaixo do braço, considera, porém, que a intervenção do Rei não deveria ir mais além, mandando calar, por vezes, também, o primeiro-ministro, José Rodríguez Zapatero, e o líder da oposição (PP), Mariano Rajoy, protagonistas de uma afiada crispação política em Espanha nos últimos anos. A sugestão-piada tem circulado nalguns blogues da Internet. Já Cynthia Monescillo não se importaria que o monarca o fizesse. "Seria boa ideia", diz, sorrindo, esta estudante de Ciências Ambientais da Universidade Rei Juan Carlos. Quanto ao facto de o monarca ter mandado calar Hugo Chávez, quando este interrompia a intervenção de Zapatero para chamar fascista a Aznar, esta madrilena de 23 anos considera que o monarca "fez muito bem porque alguém tinha de dizer alguma coisa naquela situação". "Foi um gesto de humanidade, sentiu-se impotente, perante as críticas a um ausente, que era nesse caso o ex-primeiro-ministro de Espanha". "Não se pode insultar uma pessoa que não está presente", afirma Alberto dos Santos, estudante de Engenharia Química, de 18 anos, justificando a intervenção do monarca. Espanhol, filho de portugueses de Bragança, Alberto diz que "a monarquia não está em crise, mas enfrenta problemas, pois há grupos que querem uma república". E ele? "Eu acho que estou bem como estou. Sempre conheci um rei". Que é Juan Carlos.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Greenpeace vai seguir frota de baleeiros
Japão volta a caçar baleias de bossa
http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/170292
19 de Novembro de 2007


Em nome da investigação científica os nipónicos vão caçar cerca de mil cetáceos até Abril de 2008, entre eles a vulnerável baleia de bossa. Os ambientalistas já prometeram ir dar luta.
Pedro Chaveca
15:20 Domingo, 18 de Nov de 2007






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Reuters
O Nisshin Maru e os outros quatro navios deverão regressar em Abril
Uma frota de quatro baleeiros japoneses, liderada pelo gigante de oito mil toneladas, Nisshin Maru, levantou hoje ferro em direcção ao Pacífico Sul. Aí deverá permanecer até meados de Abril de 2008, quando tiver nos porões a carne de cerca de mil cetáceos, a maioria baleias anãs, mas pelo menos 50 serão baleias de bossa, uma espécie protegida e que já esteve à beira da extinção.
Embora a caça com motivos comerciais esteja proibida desde 1986, Tóquio contínua a caçar baleias, alegadamente para fins científicos. Uma justificação que custa a vida a cerca de um milhar de cetáceos todos os anos e que não convence os activistas de muitas organizações ambientais, entre elas a Greenpeace.
"É claramente um disfarce do governo japonês para que o país volte a caçar baleias com fins comerciais", sugeriu Karli Thomas, membro da tripulação do Esperanza, o navio da Greenpeace que irá seguir a frota de baleeiros. Uma das medidas que a organização vai realizar para chamar a atenção do mundo para o que se está a passar.
Animais muito sensíveis
"A frota de baleeiros deve ser chamada de volta imediatamente. Se não for, nós tomaremos medidas não violentas para tentar acabar com a caça", avisou Thomas. Este protesto está a regimentar muitos activistas, pois também tem como objectivo censurar o abate de cerca de meia centena de baleias de bossa, uma espécie que os cientistas consideram seriamente ameaçada e que não era caçada desde meados dos anos 60 do século passado.
"As baleias de bossa são muito sensíveis e vivem em grupos bastante unidos, por isso uma só morte pode causar danos irremediáveis", sublinhou outro activista da organização.
Pouco ou nada preocupados com estas acusações, os japoneses alegam que a população de baleias de bossa já se encontra recuperada e em franco crescimento: "As baleias que temos investigado estão a recuperar rapidamente. E não vai haver qualquer impacto se abatermos 50 num universo de dezenas de milhar", resumiu o Hideki Moronuki, porta-voz da frota pesqueira.
As pressões que vêm de Tóquio
Moronuki sublinhou ainda que a morte das baleias tem permitido aos biólogos marinhos descobrir mais sobre a estrutura interna destes animais. E recusou quaisquer fins comerciais para a caçada que irá durar até 2008.
Investigação científica ou não, certo é que a carne de baleia é uma iguaria apreciada pelos japoneses, que não raras vezes acaba na mesa de alguns restaurantes, ou a ser vendida em mercados.
Tóquio continua a argumentar que a caça à baleia é uma tradição ancestral e são muitas as pressões feitas junto da Comissão Internacional para a Pesca da Baleia, para que seja levantada a suspensão do abate destes animais para fins comerciais.
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Escândalo envolveu Greene e Shirley Temple
http://dn.sapo.pt/2007/11/19/artes/escandalo_envolveu_greene_e_shirley_.html

O ano foi o de 1937. O escritor Graham Greene era colaborador da revista Night and Day e escreveu uma reportagem sobre Shirley Temple na qual afirmava que a actriz, então com oito anos, era o centro das atenções no estúdio, de homens de meia idade e de clérigos. As declarações feitas na reportagem valeram-lhe um processo em tribunal e foram a verdadeira causa pela qual o escritor se refugiou no México, país que não permitia a extradição, o que o impediu de ser preso. A revelação surgiu agora, quando foi descoberto o manuscrito onde o cineasta Alberto Cavalcantti, amigo próximo de Greene, conta as suas memórias. Desaparecido em 1982, então com 85 anos, Cavalcantti conta que graças a amigos atentos e bem colocados, Graham Green foi avisado de que a Twentieth Century Fox, produtor do filme Wee Willie Winkie - sobre o qual incidia a reportagem - se preparavam para processar o escritor, arriscando ele a prisão, e pediam ainda uma avultada indemnização à revista Night and Day. "A única solução era encontrar um país sem extradição", escreveu Cavalcantti. "Eles escolheram o México e o nosso pobre Graham foi embora num ápice. Da mesma forma, Shirley Temple nunca soube que foi em parte graças a ela, durante o exílio, que Graham Greene escreveu um dos seus melhores livros", concluiu aquele cineasta que influenciou de forma determinante o cinema inglês e francês durante as décadas de trinta e quarenta. Nas páginas da Night and Day, Greene escrevera sobre Shirley Temple: "Os seus admiradores - homens de meia-idade e clérigos - não reagiam à sua dúbia coqueteria, à visão (...) do seu desejável pequeno corpo, (...) devido apenas à cortina de segurança da história e dos diálogos divididos entre a sua inteligência e o seu desejo." Os produtores consideraram que com aquelas palavras Greene insinuava que a pequena actriz actuava deliberadamente para "um público de velhos licenciosos", como conta Cavalcantti no manuscrito que deixou e ajuda fazer a história da Twentieth Century Fox.

O mar

Thomas Bernhard gostava do mar e dos restaurantes de Portugal
http://dn.sapo.pt/2007/11/19/artes/thomas_bernhard_gostava_mar_e_restau.html
ANA MARQUES GASTÃO

Thomas Bernhard (TB) é, não só criador de um estilo, mas um dos escritores mais originais do século XX, tanto no domínio da ficção como do teatro. A poesia tem menos relevância no conjunto da sua obra. Em torno do legado deste autor prolífico, denso, musical - que foi, em simultâneo, uma figura truculenta, polémica, arrogante, elitista, corajosa e lúcida -, realiza-se, a partir de hoje e até 1 de Dezembro, um ciclo nos espaços do Centro Cultural de Belém (CCB).A semana dedicada ao escritor inicia-se com a inauguração, às 18.00, da exposição Thomas Bernhard e as pessoas de sua vida. Estarão presentes António Mega Ferreira, presidente do CCB, José António Palma Caetano, comissário do ciclo, e Peter Fabjan, meio- irmão de Thomas Bernhard. Neste encontro abordar-se-á a relação do autor de O Sobrinho de Wittgenstein com o teatro e a música, ele que criou uma obra com uma construção de tipo musical, baseada em temas e variações. Na exposição, organizada pela fundação com o seu nome, dar-se-ão a conhecer aspectos biográficos, literários, e ficarão expostos originais do autor de Extinção.O escritor de Derrubar Árvores - obra agora lançada pela Assírio com tradução de José António Palma Caetano - gostava de Portugal, opondo-o à sua Áustria natal, sobretudo nas coisas simples. Diz o tradutor: "TB veio várias vezes a Lisboa, a primeira das quais, em 1974, e refere-se--lhe num postal como "cidade magnífica." O autor colocava, no mesmo plano de preferências, o nosso país e a Polónia, tendo deixado fragmentos de uma peça escritos num hotel de Sintra. Não era um conhecedor da literatura portuguesa, mas anotações suas revelam indecisão sobre onde colocar a acção de um livro a publicar: "Açores ou Sicília?" Mais à frente, hesita entre Pirandello e Camões, perdidos entre projectos.Há inclusive referências a Portugal num livro de entrevistas. O que mais lhe agradava era o mar, a comida, os restaurantes e a limpeza que neles encontrava ao contrário do que sucedia na Áustria: "Sinto-me orgulhoso do interesse e da simpatia que TB tinha por Portugal", salienta Palma Caetano.Reflectir-se-á esta semana sobre a sua obra, "uma trincheira contra a mediocridade", segundo Mega Ferreira. TB deixa uma escrita visitada pela morte, o absurdo, a questão da identidade e a Áustria, metáfora do pai ausente, amado e odiado, que lhe negou a paternidade, mais tarde provada judicialmente. Dizia: "Eu sou o meu próprio escritor, não preciso dos outros." Hoje, Viena admira-o, apesar de ele ter proibido, por testamento, a publicação, representação e reprodução da sua obra na Áustria até que ela caísse no domínio público.

sábado, novembro 17, 2007

Saúde
Relógios humanos

http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/168632
17 de Novembro de 2007

A cronobiologia, área de investigação que estuda as relações entre os seres vivos e o tempo, pode ajudar a medicina na luta contra o cancro e a obesidade.
Margarida Cardoso
Nacho Doce/Reuters
Nas viagens de longo curso, quando se atravessam vários fusos horários, há perturbações e ritmo que baralham o funcionamento dos relógios endógenos
9:37 Sábado, 17 de Nov de 2007






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Sabia que a força muscular tem o seu pico às 15h00? A memória de curto prazo é mais eficiente ao meio-dia e a eficácia da memória semântica aumenta à tarde? Estes são apenas três segredos dos relógios biológicos, accionados naturalmente no organismo, sem necessidade de despertador.
A descoberta recente dos relógios endógenos é uma nova área de investigação transdisciplinar, capaz de contribuir para melhorar a organização dos horários escolares, combater a obesidade ou, até, aumentar a eficácia da medicação contra o cancro.
Têm sido descritos efeitos dos fármacos no tratamento do cancro que diferem conforme as horas a que são dados. Não é uma diferença radical, mas é mais um contributo no combate à doença, uma nova área a aprofundar", refere Isabel Azevedo, professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e uma das pessoas que se tem dedicado à Cronobiologia, a disciplina que estuda as relações entre os seres vivos e o tempo.
Um dos aspectos do funcionamento dos relógios biológicos é o seu acerto por sinais externos, da luz solar à ingestão alimentar. Mas, o sono e as refeições são, também, duas áreas em que os ritmos biológicos são boicotados". A par das viagens de longo curso, em que uma pessoa atravessa vários fusos horários, há outras perturbações decorrentes de factores como o trabalho por turnos ou a simples ingestão de pequenas refeições fraccionadas.
São perturbações agudas dos ritmos que não estão, ainda, completamente avaliadas, mas baralham o sistema e podem ser nocivas para a saúde", afirma Isabel Azevedo, que presidiu sexta-feira a um dos primeiros debates nacionais sobre este tema.
As jornadas "Cronobiologia: o Tempo e a Vida", da Cofanor, discutiram as implicações dos ritmos biológicos nas doenças psiquiátricas e cardiovasculares e até na secreção de melatonina, a hormona produzida de noite, que já começa a ser ingerida por alguns viajantes para compensar o efeito do "jet leg".
O simples movimento de atrasar os relógios 60 minutos, exige ao organismo humano um esforço de adaptação que se prolonga durante três dias a uma semana porque o ritmo circadiano (marca o dia de 24 horas) é mais difícil de acertar que os ponteiros do relógio.
Uma das explicações está no cortisol plasmático, a hormona que nos prepara para o despertar e tem o seu pico entre as 7h00 e as 8h00. O cortisol tem o seu máximo uma hora antes de nos levantarmos. Mas se alteramos o ritmo, a glândula não sabe e acaba por ser necessário fazer um esforço de adaptação maior", explica.
Síndrome Metabólica
A Síndrome Metabólica, uma patologia relativamente recente que atinge metade da população mundial, é outra área visada pela cronobiologia. Este transtorno, caracterizado por um conjunto de factores de risco cardiovasculares relacionados com a resistência à insulina e obesidade abdominal está directamente ligado ao estilo de vida e à indisciplina alimentar.
Quando parte significativa da população do mundo ocidental vive de acordo com um tempo social que nada tem a ver com o seu tempo biológico e a própria tecnologia atenua os marcadores dos ritmos biológicos como a luz e a temperatura, surge aquilo a que o investigador alemão Till Renneberg chama o fenómeno do "jet leg social".

Uma mulher que é metade peixe e outras fabulosas bizarrias
http://dn.sapo.pt/2007/11/17/artes/uma_mulher_e_metade_peixe_e_outras_f.html
JOSÉ MÁRIO SILVA

Numa altura em que a globalização económica e cultural parece cada vez mais imparável, a tendência da maior parte dos criadores é para se expressarem em inglês, língua dominante e passaporte de acesso aos mercados com extensão planetária. Alguém lembrar--se de inverter essa tendência, ainda por cima quando o idioma de Shakespeare é a sua língua materna, pode parecer absurdo. Mas é isso que acaba de acontecer com Rhys Hughes, um autor galês muito ligado ao universo da literatura fantástica, que escreveu A Sereia de Curitiba, um "pequeno livro de histórias interligadas", a pensar exclusivamente na publicação em língua portuguesa.Resumindo: por vontade expressa de Hughes e para boa fortuna da editora Livros de Areia, estes oito contos só existem assim, traduzidos por Safaa Dib. Ou seja, enquanto "variação" de um original que "nunca será visto". Soa borgesiano? Não é por acaso. Jorge Luis Borges, o mestre argentino dos contos eruditos e labirínticos, está no topo do panteão literário de Hughes, um pouco acima de outros experimentadores dos limites ficcionais, como Italo Calvino, Milorad Pavic ou Donald Barthelme.E tanto assim é que a primeira obra que Hughes editou em português, já na Livros de Areia, foi Uma Nova História Universal da Infâmia (2006), magnífica homenagem que replica a estrutura de um dos mais importantes livros de Borges, sem se ficar pelo mero epigonismo, antes aplicando o seu estilo delirante e o seu humor absurdo às formas criadas pelo autor de O Aleph.Curiosamente, o ponto de partida deste novo livro continua ligado a Borges, ao compensar uma falha imperdoável do Livro dos Seres Imaginários, em que o escritor argentino se esqueceu de incluir (ou não quis incluir) a sereia, esse mítico ser híbrido - metade mulher, metade peixe -, que leva os homens à loucura com o seu canto.A sereia de Hughes vive em Curitiba, alvoroçada com a folia do Carnaval, e é mais uma musa frágil do que uma pérfida sedutora. Com os seus "cabelos ondulados", transtorna emocionalmente um Viajante de imaginação fácil e dá o mote a uma série de aventuras maiores do que a vida, em que tudo pode acontecer, desde viagens à Lua (onde os tritões passam a vida a observar o que se passa cá em baixo, através de telescópios cujas lentes encaixam nas crateras) até fugas mar adentro em cima de uma colher com nove metros.Há também histórias sobre piratas e sobre os boémios tristonhos de Swansea, parábolas engenhosas (Horizonte Eterno), jogos de pura deriva surrealista (Falsa Alvorada de Papagaios), deliciosas narrativas de registo nonsense (Tudo para Nada e Regresso a Zenda), além de um conto genial, Cultos da carga na Ilha do Beijo Picante, que dinamita as fronteiras narrativas e engole literalmente um leitor que simboliza todos os leitores.Neste livro, Hughes quis ser uma espécie de oitocentista pós-moderno, um Júlio Verne que só escrevesse durante trips de LSD. O resultado é tão bizarro quanto fascinante.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Hélder Araújo, investigador da Universidade de Coimbra
Os robôs vão ser os nossos melhores amigos?
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1310896&idCanal=61
16.11.2007 - 10h17 , Maria João Lopes

Segue-nos para todo o lado, com dois olhos que parecem binóculos. Fita-nos de frente, de lado, gira o pescoço metálico para a esquerda, depois para a direita. O professor Hélder Araújo corre de um lado para o outro, salta para cima e para baixo, foge do robô, mas ele acaba sempre por encontrá-lo: “Ele responde tanto ao movimento rápido como ao lento”, garante o professor. Parece divertido, e é-o, mas é muito mais do que isso: é algo sério que pode vir a revolucionar o nosso quotidiano, sobretudo na área da saúde. “Não é robótica humanóide”, frisa o investigador da Universidade de Coimbra (UC), mas pode ser um passo importante também para ela.
O projecto que está ser desenvolvido por um grupo de cientistas da UC e de universidades estrangeiras tem um objectivo muito específico: aperfeiçoar o modelo de percepção visual e auditiva destas máquinas, tornandoas mais próximas de nós. Para já, os modelos matemáticos da percepção que serão aplicados são muito primários – são aqueles que, baseados em sistemas biológicos, são comuns aos humanos e aos animais. E é precisamente isto que é inovador no projecto: para além de investigadores na área da robótica, esta equipa integra médicos e neurocientistas. São eles que vão introduzir nos robôs os tais modelos matemáticos da percepção visual e auditiva primária, aquela que é despertada por estímulos simples como, por exemplo, a cor, um som agudo, o movimento, a textura ou a profundidade, e não a que tem a ver com as nossas experiências e memórias e que faz de nós seres complexos. Mas será que, no futuro, vai ser possível, de alguma forma, traduzir matematicamente a nossa complexidade e aplicá-la às máquinas? Até certo ponto, o professor Hélder Araújo, da Faculdade de Ciências e Tecnologias da UC, acredita que sim. Mas ressalva que é apenas a sua convicção e que, embora não esteja sozinho na comunidade científica, também não está apoiado por nenhuma espécie de consenso. Fazer tudo como nós Este é um dos tais campos em que a Ciência e a Filosofia se cruzam e, por isso, Hélder Araújo evita entrar na polémica. A este cientista, como a outros, interessa-lhe a pergunta, a pesquisa. A utilização, boa ou má, da descoberta científica é da responsabilidade dos humanos. “Para tudo há um ganho e um risco”, resume o investigador do Instituto de Sistemas e Robótica.Os robôs vão chorar a sério, rir como nós, desempenhar tarefas domésticas, intelectuais? Este professor, do departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores, acredita que sim. “Tenho fé que eles vão ser capazes de fazer tudo o que nós fazemos”, diz Hélder Araújo. Até investigação científica, o que pressupõe inteligência e criatividade? “Até investigação científica”, responde, sem medo. O professor lembra mesmo que, a nível intelectual, já há máquinas com um “desempenho razoável” a jogar xadrez e que, no que toca às emoções, elas têm “bases biológicas” e, por isso, também poderá ser possível aplicá-las matematicamente. Este cientista acredita que, “talvez dentro de 20 anos” – é apenas uma suposição –, eles vão ser capazes de mil e uma coisas: tomar conta de crianças, ajudar idosos, cozinhar com algum requinte, limpar o pó e por aí fora. Mas, para o bom desempenho de algumas destas tarefas, falta ainda apurar, entre outras especificidades, a fineza de movimentos dos robôs para que possam manusear objectos com cuidado. Adaptados ao meio E qual vai ser, afinal, a utilidade da investigação que está a decorrer nos laboratórios da Universidade de Coimbra? A confirmar-se o resultado esperado – que os robôs sejam capazes de responder ao meio ambiente de forma mais autónoma – estas máquinas terão inúmeras aplicações, na indústria, em sistemas de segurança e na área da saúde, sobretudo no que respeita ao aperfeiçoamento de próteses visuais e auditivas. O projecto ainda está em curso e os resultados finais só deverão ser visíveis em 2009. Para já, o instituto de robótica de Coimbra parece uma carpintaria de ciência. Há, pelo menos, dois robôs que respondem a estímulos visuais de movimento, ainda que um seja mais reactivo do que outro. Mas há mais: há material electrónico disperso em cima das mesas e supercomputadores com ecrãs que plasmam fórmulas, que parecem linguagem marciana aos olhos de leigos, espalhados pela sala. Ainda está tudo ainda em fase de construção. Em breve estarão em Coimbra os investigadores ingleses para introduzirem o sistema de som nos robôs e, quando chegarem os colegas alemães da neurociência computacional, aí é que vai ser.Expliquemos melhor: não é novidade que os robôs possam desenvolver tarefas mecânicas nem sequer que possam imitar emoções humanas, como o riso e o choro. Hélder Araújo chama a atenção para o interesse e o entusiasmo que os japoneses têm nesta área. Também já existem robôs que, uma vez programados para o efeito, podem ir para um terreno e até contornar obstáculos (é o que fazem alguns mísseis). Mas no caso do projecto da UC, se as fórmulas matemáticas da nossa percepção primária vingarem, os robôs vão ser capazes de responder a diversos estímulos visuais e auditivos, em diferentes ambientes e de forma mais autónoma. O que permitirá então, por exemplo, criar próteses visuais e auditivas muito mais perfeitas, sistemas de vigilância bastante mais efi azes e métodos de controlo industrial mais minuciosos. Corrigir deficiências Ficção científica? Hélder Araújo sorri. Defende que o projecto da UC não tem nada a ver com ficção científica nem com robótica humanóide. Mas, no fundo, tem pontos de contacto com a área, porque aproxima, ainda que de forma muito simples, as máquinas do nosso cérebro. A diferença é que, na robótica humanóide, as máquinas têm braços e pernas, porque são concebidas com um interface amigável e empático, e na investigação da UC isso pouco importa. Estes robôs não têm, aliás, aquele aspecto andróide que idealizamos, graças ao cinema e à literatura. Estes robôs, que podem vir a ser inovadores, parecem uns aparelhos de Oftalmologia, com um pescoço articulado e uns binóculos, ou melhor, uns “olhos”. Mas, se os testes e as experiências em curso tiverem sucesso, eles vão revolucionar um pouco o nosso dia-a-dia. Para além de potenciarem a indústria da robótica e de aumentarem o conhecimento da Neurociência acerca da nossa percepção, alargando-o à comunidade em geral, poderão trazer pelo menos um grande progresso: as tais próteses que permitirão, a quem tem deficiências visuais e auditivas, ver e ouvir. Porque estas máquinas – e isto é que é revolucionário – vão estar preparadas, tal como nós e os animais em geral, para reagir ao meio ambiente. Curioso ou assustado?

Experiência em três zonas do Japão
Japoneses inventam estrada capaz de tocar música
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1310609&idCanal=13
14.11.2007 - 12h04 PUBLICO.PT

Tornar o barulho da estrada numa doce melodia foi o objectivo de alguns investigadores japoneses, depois de descobrirem que as ranhuras do pavimento das estradas ressoavam dentro dos carros como notas musicais, como escreve o “Telegraph” na sua edição de hoje.
Depois de medirem a distância entre as ranhuras e a sua profundidade, um grupo do Hokkaido Insutrial Research Institute foi capaz de transmitir o som através das rodas do veículo para dentro do mesmo.Algumas estradas de três zonas a norte do Japão foram cortadas com distâncias precisas. Além disso, foram pintadas algumas notas musicais gigantes, uma forma de alertar os condutores para a estranha experiência que estão prestes a viver. A descoberta deste fenómeno aconteceu quando um condutor de uma máquina escavadora deixou cair a pá e, mais tarde, reconheceu notas musicais quando passou por cima das mesmas marcas que tinha feito. Os investigadores agarraram nesta ideia e puseram-na em prática nalgumas estradas para testar o seu potencial. Contudo, a opinião daqueles que experimentaram a “estrada da música” é divergente. Alguns defendem que o som emitido é mais um ruído do que uma música, enquanto outros dizem que até é possível cantar.Para se ouvir a música da melhor forma deve-se circular a 45km/h, já que mais depressa ou mais devagar o som é afectado. Nas zonas em que o limite máximo de velocidade permitido por lei é de 50km/h, os especialistas acreditam que esta nova invenção incentivará os condutores a respeitar as indicações, ou mesmo a andar mais devagar.

quinta-feira, novembro 15, 2007

"Foi um aviso para os que brincam com o Rei"
http://dn.sapo.pt/2007/11/15/media/foi_aviso_para_que_brincam_o_rei.html
MARIA JOÃO ESPADINHA

Albert Monteys, DIRECTOR DO & 'EL JUEVES'

Como reagiu à decisão do juiz, que na terça-feira passada considerou a capa e o cartoon da El Jueves [os príncipes Filipe e Letizia foram caricaturados num acto sexual em alusão à política de natalidade do Governo espanhol do cheque-bebé] como uma ofensa à Coroa espanhola e aos príncipes das Astúrias?Nós vamos dar a nossa resposta na próxima revista. O cartoonista que fez o anterior cartoon [Guillermo Torres] está a preparar outro desenho que vai ser a nossa resposta a esta decisão. Acha que esta sentença [uma multa de três mil euros para o cartoonista e o guionista, cada um] foi uma decisão com justiça?Não. Achamos que foi um julgamento pouco legal. Para nós, era óbvio que este seria o resultado final. Porquê?Porque 30 segundos depois de o advogado de defesa terminar a sua exposição no julgamento, o juiz deu a sua sentença e mandou-nos embora. Já tinha a sua decisão tomada. Nós vamos responder como sempre respondemos: com humor. Esta será a história principal da nossa revista da próxima semana, assim como a separação da infanta Elena e de Jaime de Marichalar, os duques do Lugo.Vão deixar de fazer humor como têm feito até aqui por causa da sentença e das consequências?Não, já falámos muito sobre isso. Fazemos o mesmo tipo de humor há mais de 30 anos e achamos que não é legal fazerem o que fizeram. Não conseguimos entender a decisão que o juiz tomou.Acha que a revista EL Jueves pode vir a ser alvo de outro processo judicial como este que aconteceu?Não. Todo o processo foi um grande erro, mas saiu ao contrário. Deu bastante publicidade à revista El Jueves. Por alguma razão estamos a falar consigo, de um jornal em Portugal. Já conversámos com estações de televisão como a BBC ou do outro lado do mundo, como a Al-Jazeera, entre vários outros meios de comunicação. O resultado final foi exactamente o contrário do que inicialmente estávamos à espera.Foi um sinal dos tempos actuais?Sim, foi um aviso para as pessoas. Não só para os que nos processaram como para aqueles que fazem humor e que brincam com a figura do Rei, o que há uns anos não acontecia. É um exemplo que estes humoristas podem seguir.Vão recorrer desta decisão do tribunal?Sim, não consideramos esta decisão justa e por isso vamos recorrer até à última instância. Com HUGO GONÇALVES, Madrid

Celebridades gastam cinco vezes mais que um agregado familiar
http://dn.sapo.pt/2007/11/15/artes/celebridades_gastam_cinco_vezes_mais.html
DAVIDE PINHEIRO

De acordo com uma investigação da revista americana Forbes, uma celebridade pode gastar cinco vezes mais dinheiro por mês do que um agregado familiar.Por exemplo, Britney Spears despende uma média de 70 mil euros por mês em actividades de lazer. E tem custos na ordem dos 11 mil euros em roupas, 3250 em restaurantes, 7 mil com as diversas contas da casa e 12 mil com automomóveis ou com outros meios de transporte. Estes foram, pelo menos, os valores declarados em tribunal. Os números são confirmados por um estudo da Prince & Associates of Redding, Conn., que recentemente entrevistou 92 agentes que representam 288 actores e músicos para saber de que maneira pretendem os seus clientes gastar as fortunas no período que vai do Natal à segunda quinzena de Janeiro. As categorias não foram especificadas, mas todas as celebridades precisavam de ter, pelo menos 25 anos, e um património líquido de 7 milhões de euros."Esse é o ponto a partir do qual as pessoas gastam sem limites", referiu o especialista em fortunas privadas e sócio gestor da Prince, Hannah Grove. Este Natal, quase 48% das celebridades pensam ficar num hotel ou estância, com uma despesa média de cerca de 61 mil euros. As celebridades deste inquérito também planeiam gastar uma média de 51 mil euros em roupas e acessórios, 59 mil em relógios e 80 mil em joalharia. Mais de 80% das "estrelas" estão a contar gastar uma média de 44 mil euros em spas e treinadores pessoais. Este ano, a população americana com uma "vida normal" pensa gastar uma média de 560 euros em compras relacionadas com as férias, lazer ou entretenimento e mais 72 em bens de consumo, segundo um inquérito realizado recentemente por uma consultora. Entre as compras favoritas das estrelas, encontra-se um vinho tinto da região de Bordéus (França), que pode custar 12 mil euros, dependendo da colheita. Só em álcool, uma das extravagâncias preferidas, os inquiridos planeiam gastar uma média de 32 600 euros. Quando questionado, um joalheiro de renome referiu que a maior parte das jóias usadas pelas estrelas costumam ser emprestadas.

Quem matou o ícone da segunda Intifada?
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain2%2Easp%3Fdt%3D20071115%26page%3D20%26c%3DA
15.11.2007, Maria João Guimarães

Caso judicial sobre autenticidade das imagens do tiroteio que levou à morte de Mohammed al-Dura, em Setembro de 2000, voltou ontem aos tribunais em França
Muitos não hesitam em classificá-la como "a" imagem da segunda Intifada. Logo no segundo dia da revolta palestiniana de 2000, uma câmara de televisão foca um menino de Gaza aterrorizado, agachado atrás do pai, que tenta protegê-lo durante uma furiosa troca de tiros entre israelitas e palestinianos, atrás de uns blocos de cimento cinzento, perto de um colonato judaico na Faixa de Gaza. Passados uns segundos, o menino está morto e o pai ferido.
A imagem de Mohammed al-Dura multiplicou-se em selos em países árabes, foi repetida em stencil ou em cartazes gigantes pela Faixa de Gaza, o seu nome foi atribuído a ruas ou parques pelo mundo árabe. A sequência foi ontem visionada na totalidade pelo tribunal da relação de Paris, numa audiência do caso judicial que nasceu da polémica à volta da autenticidade das imagens. O episódio data de Setembro de 2000. A afirmação, feita a acompanhar a imagem, de que teriam sido os soldados israelitas a matar o menino foi muito questionada logo após a difusão das filmagens. Quem as obteve foi o operador de câmara da France 2 em Gaza, Talal Abu Rahma, e foram comentadas pelo chefe da delegação da estação pública francesa em Jerusalém, Charles Enderlin (que não estava presente no cruzamento de Netzarim, Sul da Faixa de Gaza, na altura do incidente). Inicialmente, o Exército israelita pediu desculpa, afirmando que seria provavelmente um soldado israelita o autor dos disparos que mataram o rapaz. Mas, numa segunda investigação, já dizia que isto era pouco provável. Cada vez mais dúvidasE quanto mais tempo passou, mais dúvidas vieram sendo expressas - por exemplo, num documentário de uma estação de televisão alemã de 2002. Em Israel há mesmo um homem que se dedica, há anos, a duvidar de todo o incidente, alegando que se trata de uma encenação. Nahum Shahaf põe inclusivamente em dúvida a própria morte de Mohammed al-Dura. Mas Shahaf é um velho conhecido destas andanças de desacreditar os acontecimentos que fazem as primeiras páginas dos jornais: já tinha afirmado ter "novo material" sobre o assassínio do antigo primeiro-ministro israelita Yitzhak Rabin. Um académico americano, Richard Landes, também se dedicou à análise exaustiva de todo o material difundido nesse dia, e concluiu que a morte de Al-Dura foi encenada. Para ele, tratava-se do que chama Pallywood, ou seja, "drama feito por palestinianos para as câmaras palestinianas", e alegava que o menino nem morreu.O caso nos tribunais Um processo judicial a decorrer em França já levou à acusação por difamação de Philippe Karsenty, director de uma agência de vigilância dos media, a Media Ratings, por este ter acusado Charles Enderlin de ter falseado as imagens. Karsenty recorreu da decisão. E ontem, pela primeira vez, o tribunal de relação viu a totalidade das imagens captadas por Abu Rahma, ou seja, os 25 minutos de gravação que foram depois editados - na primeira vez que difundiu as imagens, a France 2 usou 55 segundos destas filmagens. Sobre isso, Philippe Karsenty escrevera que a estação tinha sido responsável por uma "falsificação que desonra a França e a sua televisão pública", segundo o diário israelita anglófono Jerusalem Post. A estação de televisão tinha cedido as imagens gratuitamente após o incidente a todas as televisões do mundo, mas negou o acesso a todas as gravações à produtora alemã que fez o documentário de 2002. A France 2 alegava que tinham sido cortados pedaços das imagens que mostravam os últimos momentos de "agonia" do menino.Outras pessoas acabaram por ver a totalidade dos 27 minutos de filmagens: três respeitados jornalistas franceses, a convite da directora da France 2, Arlette Chabot. Tratava-se de três jornalistas seniores, que não puseram em causa a morte do menino, mas que afirmaram que os momentos de agonia não eram visíveis, como alegava a France 2. O artigo em que falavam sobre a questão foi publicado no jornal Le Figaro. Soube-se depois que o propuseram ao Le Monde, que recusou publicá-lo pela "bizarria" do debate, segundo o director das páginas de opinião, citado na altura pelo jornal norte-americano The New York Times.Falta de provasO problema central no caso Al-Dura é a falta de provas. O funeral do menino foi feito logo no final dessa tarde, segundo a tradição muçulmana. O corpo não foi sujeito a autópsia. Não foram recuperadas balas, e o muro e cilindro israelitas onde pai e filho se abrigaram foram demolidos pelo Exército do Estado hebraico pouco depois. O estratega israelita Dan Schueftan, em declarações ao artigo que James Fallows publicou na revista norte-americana Atlantic Monthly (de 2003), explicou o caso deste modo: "É o símbolo do que os árabes querem pensar: o pai está a tentar proteger o filho, e os judeus satânicos - não há outra palavra para isso - estão a tentar matá-lo. Estes judeus são pessoas que vêm matar as nossas crianças, porque não são humanos." Por outro lado, poder-se-ia dizer que o caso alimenta também a pior ideia dos israelitas em relação aos palestinianos: a de que seriam capazes de fingir uma morte, ou pior, de matar uma das suas crianças, para culpar disso o inimigo. A responsável da estação francesa, Arlette Chabot, tem afirmado inúmeras vezes que "ninguém pode dizer com certeza quem matou" Mohammed al-Dura. Desviar atençõesMas enquanto em Israel alguns mostram alívio pela nova postura do Estado hebraico, ao recusar responsabilidade neste incidente, outros acham que o que importa é a bigger picture. Num artigo recente publicado pelo jornalista israelita Gideon Levy, antigo porta-voz de Shimon Peres e membro da direcção do respeitado Ha"aretz, insurgia-se contra este debate, lembrando todos os outros menores mortos em acções do Exército israelita nos territórios palestinianos. "Todas estas perguntas de mau gosto estão feitas para desviar as atenções do que é importante", escrevia Levy a propósito do ressurgir do debate sobre a morte de Al-Dura."De acordo com dados da organização de direitos humanos B"Tselem, Israel é responsável pela morte de mais de 850 crianças e adolescentes palestinianos desde que Al-Dura foi morto, incluindo 92 apenas no ano passado." Assim, "nem milhares de Nahum Shahafs [o israelita que se tem dedicado à investigação do caso] conseguirão ofuscar o facto inequívoco de que uma escandalosa matança de crianças está a acontecer nos territórios". Pequeno destaque em caixa com fundo que tambem pode servir de legenda para a fotografia do lado esquerdo

terça-feira, novembro 13, 2007

Frase de Juan Carlos na Internet
"Por qué no te callas" já pode ser toque de telemóvel
http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/165752
Um dos momentos mais impulsivo de Juan Carlos I, já mora na net, com domínio próprio e tudo.
Pedro Chaveca
14:47 Terça-feira, 13 de Nov de 2007



Juan Carlos protagonizou um raro momento em cimeiras internacionais
Quando no passado sábado o Rei de Espanha, Juan Carlos I, sugeriu que o presidente venezuelano, Hugo Chavez, optasse pelo silêncio, não terá calculado, eventualmente, todas as repercussões da sua atitude.
Se fez bem ou mal, a história estará cá para o avaliar, até porque com o auxílio da Internet, esse momento já foi devidamente imortalizado.
A frase do monarca: "Por qué no te callas?" já pode ser um sonoro e polifónico toque de telemóvel, com alguns retoques de remix. É só ir aos sites ou blogues que já estão a disponibilizar as cinco palavras do intempestivo momento.
Um cidadão de Almeria, Sul de Espanha, também já registou o domínio cuja morada é precisamente "porque no te callas", embora de momento ainda não tenha qualquer informação adicional.
Crachás e DVD's para os vencedores
Não se pense que a imaginação dos internautas termina em toques para telefones portáteis, ou em sites vazios. Na rede mundial que é a Internet há espaço para mais, muito mais.
No bloque cogiendo caracoles já está a decorrer um concurso em que os participantes terão de realizar (o termo aplica-se na perfeição) um vídeo cómico sobre o momento histórico. O segundo e terceiro classificados receberão crachás, também alusivos ao pedido do Rei. Para o grande vencedor está reservado um DVD.
É claro que quem não tiver jeito para fazer rir os outros poderá sempre optar pelo merchandising que começa agora a pulular na Internet. É só escrever as palavras reais e o difícil vai ser escolher onde entrar.
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Precisão

Dilatação do tempo medida com precisão
http://dn.sapo.pt/2007/11/13/ciencia/dilatacao_tempo_medida_precisao.html
DANIELA COSTA, com J.P.O.

A dilatação do tempo, um dos aspectos abrangidos pela teoria da relatividade, é um dos fenómenos mais fascinantes tanto para os cientistas como para a própria ciência. Por esta razão, um grupo de cientistas, britânicos e alemães, desenvolveu um estudo em que, através da utilização de relógios atómicos ópticos, é possível calcular com uma precisão nunca antes vista a dilatação do tempo. Este estudo, que foi publicado no domingo pela revista Nature, vem confirmar a teoria desenvolvida por Albert Einstein, no princípio do século XX.Para medir a dilatação do tempo, os cientistas usavam, até agora, o sistema de posicionamento global, mais conhecido por GPS, através de satélite. No entanto, este estudo considera que o sistema de GPS poderá vir a ser ultrapassado, uma vez que os relógios atómicos ópticos mostraram ser mais eficazes que o antecessor. Aliás, o relógio atómico é sem dúvida o relógio mais preciso de todos, uma vez que mede o tempo em 16 dígitos, ultrapassando em muito os relógios convencionais, com apenas seis dígitos, e os cronómetros com nove dígitos. Pela sua precisão, este é o auxiliar ideal para comprovar a teoria desenvolvida por Einstein, que considera que a gravidade e o movimento influenciam o tempo.Dilatação do tempoMas o que é exactamente o fenómeno da dilatação do tempo? Previsto na teoria da relatividade, este fenómeno prende-se com o facto de objectos ou mesmo pessoas sofrerem o efeito da dilatação do tempo de acordo com a velocidade a que estão sujeitos. Assim, o tempo para um objecto ou um indivíduo que esteja dentro de um outro objecto, que se desloque a alta velocidade, passa mais lentamente do que se estivesse num objecto que se desloque a uma velocidade mais baixa.Uma das experiências mentais mais conhecidas é o "paradoxo dos gémeos", em que se um dos gémeos viajar no espaço, onde se atingem velocidades muito altas, quando regressar à terra estará mais jovem que o irmão, em tudo idêntico a si. Assim, para um astronauta que viaje a 98% da velocidade da luz, cada ano percorrido irá equivaler a cinco anos na Terra. Se essa viagem no espaço demorar 20 anos, o astronauta irá envelhecer apenas quatro anos na realidade.Para provar esta teoria, o grupo de investigadores, liderados por Sasha Reinhardt, do Instituto Max Planck, na Alemanha, utilizou dois átomos, em que um atingiu 6,3% e o outro 3% da velocidade da luz. A partir daqui, os cientistas conseguiram identificar a idade dos átomos com uma precisão nunca antes vista. Para isso usaram uma técnica pioneira que se baseia na utilização de um laser. Esta foi desenvolvida pelo alemão Theodor Hänsch, que também faz parte da equipa de investigação, e que ganhou, em 1995, o Prémio Nobel da Física.Teoria da relatividadeFoi Einstein o primeiro a prever este fenómeno da dilatação do tempo. Na teoria que desenvolveu sobre a relatividade, entre 1905 e 1916, a medição do espaço e do tempo é relativa e não absoluta, uma vez que o espaço e o tempo dependem directamente do estado de movimento do observador: quanto mais rápido se deslocar um objecto, mais lentamente passa o tempo para a pessoa ou objecto que esteja dentro do mesmo.Esta teoria pretendia inicialmente explicar as lacunas no conceito de movimento relativo. Mas, com o desenvolvimento da investigação, tornou-se numa das teorias básicas mais importantes na história das ciências físicas. Esta serviu de base para que os físicos demonstrassem as unidades de matéria e energia, espaço e tempo, e a equivalência entre as forças de gravitação e os efeitos de aceleração de um sistema.Para Albert Einstein os corpos produzem em seu redor uma curvatura do espaço. Assim, quanto maior foi a massa do corpo maior será a sua curvatura. Como consequência, um outro objecto será atraído para esse grande corpo, não por causa da sua gravidade mas porque simplesmente segue o caminho, que, por ser curvo, o levará até esse destino.

O mau tempo prejudica os salvamentos

Mau tempo previsto para hoje dificulta salvamentos
http://dn.sapo.pt/2007/11/13/internacional/mau_tempo_previsto_para_hoje_dificul.html
CADI FERNANDES

Ferro-velho, enxofre e petróleo - uma mistura explosiva que, em doses industriais, como é o caso, configura uma verdadeira catástrofe ambiental. Este o cenário visível ontem depois de, no domingo, uma violenta tempestade ter feito naufragar quatro navios e um petroleiro, o Volgoneft-139, no estreito de Kerch, na península da Crimeia, entre a Rússia e a Ucrânia. Na tragédia perderam a vida três marinheiros e de outros 20, na sua maioria sírios, desconhece-se o paradeiro.Ferro-velho, enxofre e petróleo - qual deles o mais nocivo para as águas entre os mares Negro e de Azov? Venham os especialistas e escolham. Perante os media, Sergei Baranovsky, presidente da Cruz Verde Russa, "escolheu" o enxofre, considerando-o mais danoso do que o derrame de petróleo. Vladimir Chuprov, da Green- peace da Rússia, "escolheu" o petróleo e questiona a fiabilidade do transporte marítimo de combustível, por manifesta falta de técnicas seguras. Já Pyotr Romanov, enfant terrible da ecologia russa e também deputado, não "escolhe" nem o petróleo, nem o enxofre, sequer o ferro-velho. Para ele, no pasa nada. É poluição, como de costume, nada que diferencie este acidente - que espalhou milhares de toneladas de detritos -, por exemplo, da "libertação de gases pelos automóveis" numa base diária e imparável.Se já foi mau no domingo e ontem, hoje poderá ser pior, prevendo-se um agravamento das condições meteorológicas, com neve, chuva e rajadas de vento até 20 metros por segundo, o que dificultará sobremaneira as operações de resgate dos homens desaparecidos e de salvamento da fauna (já morreram 30 mil aves, pretas de petróleo, e mais 30 mil podem ainda morrer numa faixa de 12 quilómetros). Nesse sentido, Rússia e Ucrânia decidiram criar uma comissão de crise mista - o que só prova que o que a política desune, o ambiente une. Os primeiros-ministros dos dois países, o russo Viktor Zubkov e o ucraniano Viktor Yanukovich mantiveram, ontem, uma conversa telefónica sobre o assunto e tencionam retomar hoje esse diálogo. Além disso, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, mandou Zubkov, por ele nomeado há poucos meses, partir para o local da tragédia ambiental com urgência, isto é, ontem. Kubkov parte hoje.No "terreno", os receios são muitos, pois logo no domingo, com ondas de cinco metros de altura, o petroleiro Volgoneft-139 partiu-se ao meio, a despeito de ter, como informa a Organização Marítima Internacional, duplo casco e tonelagens bruta e líquida de, respectivamente, 3463 e 1039. Foi fabricado em estaleiro da Bulgária, possuía bandeira russa e, desde 1978, galgava ondas e enfrentava tempestades. Até domingo, dia em que o navio registado na OMI com o número 69531 se transformou em caixa de fósforos. O Capitão Ismael não ficou melhor. Com um comprimento de 128 metros, bandeira da Geórgia, tinha, na OMI, o número 7607742. Tinha.Serão precisos meses para se lograr a limpeza da zona atingida.A justiça russa abriu dois inquéritos para apurar responsabilidades.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Quando o Rei mandou calar o Presidente da Venezuela
http://dn.sapo.pt/2007/11/12/internacional/quando_o_mandou_calar_o_presidente_v.html
12 de Novembro de 2007

O primeiro-ministro espanhol tentou defender o seu antecessor dos insultos proferidos pelo presidente venezuelano. José Luis Zapatero. Não sou eu quem está próximo do ex-presidente [José María] Aznar, em termos ideológicos, mas Aznar foi eleito pelos espanhóis e exijo, exijo...Hugo Chávez. Diga-lhe que respeite... Diga o mesmo a ele.José Luis Zapatero. Exijo esse respeito, por uma razão, além disso...Hugo Chávez. Diga-lhe o mesmo, Presidente....José Luis Zapatero. Certamente.Hugo Chávez. Diga-lhe o mesmo....Juan Carlos. Porque não te calas?Michelle Bachelet. Por favor, não entremos em diálogo. Teve tempo para expor a sua posição. Presidente, termine. Hugo Chávez. Pode ser espanhol o presidente Aznar, mas é um fascista e é um...José Luis Zapatero. Presidente Hugo Chavéz, creio que há uma coisa essencial. É que para respeitar e para ser respeitado devemos procurar não cair no insulto.Chávez. O Governo da Venezuela reserva-se no direito de responder a qualquer agressão, em qualquer lugar, em qualquer espaço e em qualquer tom.

sábado, novembro 10, 2007

Alergia de Natal

Alergias da época de Natal
http://dn.sapo.pt/2007/11/10/ciencia/alergias_epoca_natal.html


O Natal está à porta. No fim do mês de Novembro, início de Dezembro, os portugueses (e não só) correm à procura de uma árvore de Natal. Uns já preferem as artificiais, duráveis ano após ano. Outros continuam a preferir o tradicional pinheiro de Natal. Mas eis que um estudo realizado nos Estados Unidos da América veio dar o alerta. As árvores "escondem" alergias. Há muitas pessoas alérgicas a uma substância designada terpeno, que se encontra no óleo ou seiva das árvores de Natal. O melhor, para quem tem estas alergias, é optar por árvores artificiais, advertiu uma associação norte-americana - traduzido à letra é o Colégio Americano de Alergias, Asma e Imunologia, de Dallas, que reuniu esta semana em encontro anual. O alerta é extensivo às decorações de Natal, como os centros de mesa ou enfeites, que utilizem arbustos ou ramos. Em Portugal, no entanto, as incidências alérgicas não se prendem, nesta época, com os pinheiros naturais. Mário Morais de Almeida, presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, explicou ao DN não existir nesta altura "um carácter epidémico", mas há queixas todos os anos de irritações devido, em particular, às árvores artificiais e aos sprays que permitem fingir a existência de neve. O desempacotamento das árvores artificiais - guardadas durante um ano - criam poeiras irritantes, podendo agravar sintomas a doentes que sofram de renites ou asmas. Por outro lado, Mário Morais de Almeida alerta para os sprays de neve artificial, que podem também agravar esses sintomas. São decorações irritativas das vias aéreas. Por isso, o presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia adverte para a necessidade de se ler com cuidado as fichas técnicas destes produtos, utilizando, caso seja necessário, máscaras ou equipamentos de protecção.A incidência é maior em quem já seja portador de doenças alérgicas. O mesmo responsável garante que Portugal não tem picos alérgicos pela utilização de pinheiros naturais.Os sintomas, de acordo com a organização norte-americana, desta alergia natalícia são os espirros, dores de cabeça, irritação nos olhos e nariz. Será que está aqui a explicação para o nariz vermelho de Rudolfo, a rena do Pai Natal?

sexta-feira, novembro 09, 2007

Anticlímax na segunda ronda dos leilões de Outono: o mercado resistiu a um Van Gogh
09.11.2007,
Inês Nadais

Anteontem, os analistas leram os recordes batidos por Matisse, Pissarro e Signac no leilão de arte impressionista e moderna da Christie"s como um sinal da avidez dos investidores por um mercado ultimamente bem mais fiável do que a bolsa ou o imobiliário. Ontem, não sabiam o que fazer disto: Campos de Trigo (1890), a última paisagem pintada por Van Gogh duas semanas antes de se suicidar, não teve compradores no leilão da Sotheby"s. Parou tudo: na véspera, os analistas tinham avisado que se este Van Gogh não vendesse era muito mau sinal.Vamos mudar de assunto (ainda ontem o mercado da arte moderna era o melhor do mundo) e falar de crise? Por enquanto não. A Sotheby"s admite ter tido uma péssima noite (o total das vendas ficou muito aquém das expectativas: 270 milhões de dólares, contra os 355 milhões com que contava), mas por excesso de confiança: "O leilão foi muito difícil, mas esta má performance deve-se mais a uma resistência dos compradores às nossas estimativas agressivas do que a uma inflexão do mercado, que continua muito forte", reagiu David Norman, responsável da Sotheby"s para a arte impressionista e moderna. Os preços de referência estavam inflacionados, admite agora a leiloeira, mas há outras explicações para o anticlímax: alguns dos lotes eram demasiado familiares, e os compradores não simpatizam com material déjà vu. Os sobressaltos da bolsa ao longo do dia também terão contrariado o eufórico leilão da Christie"s. O barómetro Van Gogh veio agora obrigar a uma reavaliação do estado do mercado: a Sotheby"s esperava vender Campos de Trigo por um montante entre os 28 e os 35 milhões de dólares, e, tendo em conta a especificidade do Van Gogh em causa (a última paisagem do pintor holandês que apareceu num leilão, em 1995, foi vendida por 27 milhões de dólares), os analistas mais optimistas chegaram a equacionar os 50 milhões. Surpresas"Neste momento, o mercado está tão saudável e há tanta liquidez por aí que eu ficaria muito surpreendido se houvesse percalços", comentou Richard Feigner à Reuters. Deve estar muito surpreendido agora. Dos 76 lotes em leilão, 20 ficaram por vender: Picassos (quatro), Monets, Renoirs, Matisses, Mirós e Bracques incluídos. Mesmo a obra mais bem-sucedida - Te Poipoi (A Manhã), um óleo da fase taitiana de Paul Gauguin - foi arrematada por um valor muito inferior ao esperado (35 milhões de dólares). Num leilão que podia ter sido histórico só pelos piores motivos, a Sotheby"s ganhou o dia com uma escultura de Picasso: Cabeça de Mulher (Dora Maar) foi comprada por 29 milhões de dólares, esmagando o anterior máximo para uma escultura do artista, 6,7 milhões.

Afinal as lagostas sentem dor

Estudo levanta polémica sobre neurologia dos invertebrados
Afinal as lagostas sentem dor
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1310098&idCanal=13
08.11.2007 - 16h36 PUBLICO.PT

Este artigo é dedicado àqueles que salivam ao pensar numa lagosta suada. Afinal as lagostas também sentem dor, ao contrário do que uma equipa norueguesa tinha sugerido num estudo publicado há dois anos.
Parece um asunto meramente do foro culinário, mas a questão da sensibilidade das lagostas à dor tem ocupado muitas equipas científicas ao longo dos tempos. Agora, uma equipa da Queen's University, em Belfast, Irlanda, decidiu também tentar encontrar a resposta à questão. Decidiu torturar 144 lagostas, colocando uma gotinhas de ácido acético (uma espécie de ácido fraco com cheiro a vinagre) nas suas antenas. Imediatamente os bichos agitavam e esfregavam a antena afectada, deixando as outras paradas.Robert Elwood, responsável pela equipa, conclui que qualquer ser vivo é sensível á dor, ou pelo emnos a uma experiência mais traumática, algo essencial para a evitar e para conseguir, no fundo, sobreviver.O estudo da equipa de Belfast fará decerto as delícias dos defensores dos direitos dos animais, que há muito se batem contra a tortura da lagosta viva mergulhada em água a ferver.Mas a discussão sobre a sensibilidade dos não-vertebrados, e se estes terão um sistema nervoso suficientemente desenvolvido para ter dor, estará longe do ponto final. O diário britânico "Guardian" lembra um estudo da Universidade de Liverpool, de uma equipa que estudava a dor em peixes, que concluiu queos camarões, por exemplo, não têm sequer um cérebro reconhecível como tal. Mas a equipa de Belfast responde: "Lá porque os caranguejos não têm a arquitectura dos centros da visão igual à dos humanos não quer dizer que não vejam. O que conta é saber se os invertebrados têm uma arquitectura neurológica que lhes permita sentir dor."

quinta-feira, novembro 08, 2007

Previsões da AIE até 2030
Chineses constroem "uma central de Sines" de quatro em quatro dias
http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1310046
08.11.2007 - 09h25

Por Lurdes Ferreira, Ricardo Garcia
Beawiharta/Reuters (arquivo)
Especialistas portugueses afirmam que a AIE resiste a assumir o declínio da produção do petróleo e que falta sensibilidade para a mudança de modelo energéticoNo mundo ideal, os carros são movidos a hidrogénio, as casas quase não gastam energia, o sol e o vento é que produzem electricidade e ninguém mais teme o aquecimento global. Mas nos cenários da Agência Internacional de Energia (AIE), está tudo ao contrário.O seu relatório anual sobre o futuro energético global (World Energy Outlook 2007), ontem divulgado, diz que a humanidade consumirá ainda mais petróleo e carvão em 2030 do que hoje. E qualquer solução para aliviar os problemas da dependência dos combustíveis fósseis passará pela China e pela Índia, os dois "gigantes emergentes da economia mundial e do mercado energético", como diz o documento.É a primeira vez que a AIE olha em detalhe para a possível evolução futura dos dois pesos-pesados do mundo em desenvolvimento. Um dado novo: os cenários, hoje, indicam que a procura de energia em 2030 vai ser quatro por cento maior do que se imaginava há apenas um ano, no anterior relatório. Esta variação aparentemente pequena corresponde a mais de um terço do consumo energético actual de toda a União Europeia.Outra evidência do relatório é a de que a utilização do carvão - o mais sujo dos combustíveis fósseis - vai continuar a subir em flecha, cerca de 73 por cento entre 2005 e 2030, num cenário de referência, que conta apenas com as políticas que já estão em curso neste momento. Mais uma vez, a China e a Índia são as locomotivas: ambas respondem por 80 por cento deste aumento.Mesmo com os preços actuais a chegarem aos 100 dólares o barril, o consumo de petróleo também sobe no futuro. Em 2030, poderá chegar aos 116 milhões de barris por dia, 37 por cento mais do que hoje. O petróleo ainda continuará a ser a fonte de energia mais usada, embora o seu peso diminua. A Agência Internacional de Energia afirma que as reservas de petróleo são suficientes para a procura em 2030. Mas não põe de parte a possibilidade de uma crise por volta de 2015, "envolvendo uma abrupta escalada nos preços".Pouco tempo para agirPara o físico Rui Namorado Rosa, um dos raros portugueses ligados ao grupo internacional de "petropessimistas" reunidos na Associação para o Estudo do Pico do Petróleo (ASPO), a AIE continua a "não assumir a realidade" do declínio da produção de petróleo, "uma realidade que vai sendo disfarçada por etapas", mas que "se vai impondo". No cômputo geral, a procura de energia irá subir 55 por cento até 2030, ou 38 por cento, num cenário alternativo, que contabiliza todas as medidas para poupança energética que estão a ser pensadas neste momento. Quase metade desta subida (45 por cento) cabe à China e à Índia. O que mais preocupa a agência é o pouco tempo que há para agir. Os dez próximos anos, diz o relatório WEO2007, "são cruciais", devido à necessidade de expansão rápida de infra-estruturas, para atender ao crescente consumo. "O ano 2030, em termos energéticos, é já amanhã", afirma o antigo secretário de Estado do Ambiente e conselheiro da Comissão Europeia para as questões ambientais. Diz que falta à AIE a sensibilidade da mudança, por o futuro não se jogar entre regiões, mas "no casamento entre as tecnologias de informação e a energia e no casamento entre os sistemas de transporte e a electricidade". E isso, defende, vale para qualquer região, qualquer que seja o seu nível de desenvolvimento.Só em 2006, a China construiu 105 gigawatts de potência em centrais térmicas, sobretudo a carvão. Isto significa, em média, instalar uma central como a de Sines - a maior de Portugal - a cada quatro dias. A Índia, segundo o WEO2007, vai precisar de 400 gigawatts de capacidade adicional até 2030. Tudo se mede em números superlativos. A frota automóvel chinesa era de 5,5 milhões de veículos em 1990. Em 2005, tinha subido para 37 milhões e até 2030 explodirá para 270 milhões. As vendas de carros novos deverão superar as dos Estados Unidos já em 2015.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Pela primeira vez

Escritores querem receber também por vendas em DVD e Internet
Estados Unidos ficam sem guionistas pela primeira vez em 20 anos
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1309687
05.11.2007 - 10h30 PUBLICO.PT

Os guionistas de televisão dos Estados Unidos entraram hoje em greve, pela primeira vez em vinte anos, devido ao fracasso das negociações, segundo informou em comunicado o presidente da Aliança de Produtores de Cinema e Televisão (AMPTP), Nick Counter. Séries como “Lost” ou “24” poderão sofrer falhas.
O presidente classificou esta acção como “irresponsável” por parte dos membros do Sindicato de Guionistas Americanos (WGA), já que “as negociações estavam a avançar” depois da reunião de ontem com a AMPTP.Com a greve exigem que os novos canais de distribuição, como a venda de séries de televisão em DVD e as emissões das mesmas através da Internet, tragam também benefícios aos guionistas, mas com umas condições que foram definidas como inalcançáveis, perante a realidade financeira do sector.“Tentamos aproximarmo-nos de algumas das suas posições e principais reivindicações, incluindo a difusão pela Internet e a jurisdição de novos meios. Mas finalmente o sindicato estava pouco disposto a chegar a um acordo na maioria das suas exigências”, explicou Counter no comunicado. Por sua vez, o presidente do WGA na costa oeste dos Estados Unidos, Patric Verrone, afirmou: “A nossa posição é muito simples e justa – quando o trabalho de um escritor gera receitas para as companhias merece ser pago”.As posições opostas não se aproximaram e segundo Counter “quando pedimos para pararem o relógio, com o objectivo de adiarem a greve para podermos continuar com as negociações eles não aceitaram” e, assim, séries como “Lost”, “24” e “Law and Order: Criminal Intent” deixarão de produzir os guiões que se deveriam rodar nos próximos meses.Os seguidores de “The Tonight Show”, “The Conan O´Brian Show”, “Colbert Report” e “The Daily Show” vão sentir os efeitos da greve de forma imediata, já que estes costumam ser emitidos diariamente.Nos últimos dias a AMPTP afirmou que não “podemos avançar enquanto este tema estiver em cima da mesa. Em poucas palavras, o assunto dos DVD é uma absoluta barricada para qualquer progresso futuro”.No entanto, Verrone disse que “nos últimos anos estes conglomerados tiveram enormes recompensas financeiras graças a dezenas de milhar de pessoas, incluindo membros da comunidade criativa” e, acrescentou que, “ainda que a maioria da indústria continue a crescer, a nossa está a diminuir”.